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Citações

por Antonovsky, em 08.08.15

O declínio das instituições representativas, como os parlamentos ou os partidos políticos em favor de "Instituições Guardiãs" (como alguns autores designam) é uma tendência alarmante. Estas instituições cuja legitimidade assenta em pressupostos que favorecem uma administração tecnocrática e oligárquica, incluem bancos centrais, a burocracia da União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, empresas de consultoria e redes várias de "especialistas em políticas publicas. (...) Qualquer democracia pressupõe a existência de estruturas não eleitas das quais emanam decisões relevantes para a vida quotidiana: o sistema judicial, as forças armadas, as polícias e a administração pública. Mas todas estas instituições foram historicamente controladas e supervisionadas por executivos e parlamentos. A situação atual distingue-se na medida em que o novo estatuto das "instituições guardiãs" implica que sejam impermeáveis ao controlo popular."

Tiago Fernandes in, "A Sociedade Civil" Ensaios FFMS

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publicado às 20:58


Ao oitavo mês o Homem descansou

por Antonovsky, em 04.08.15

Mês de Agosto, mês de férias, pelo menos assim é para muitos portugueses. Quem trabalhar neste período verifica a calmaria nos transportes, no trânsito e até, por vezes, no serviço. O país fica a meio gás e parte da população desloca-se das zonas urbanas, para as zonas turísticas e de lazer, regularmente, praias.
Uns marcam os seus dias de férias na primeira quinzena, outros na segunda, outros o mês todo, quer porque lhes convém ou porque são “empurrados” para este período do ano devido às empresas ou serviços onde trabalham encerrarem a sua atividade. Por outro lado, nas escolas as matrículas já estão feitas, os manuais comprados ou encomendados e recupera-se o folego para outro ano letivo que se aproxima. Não podemos esquecer este pormenor, a despesa escolar espreita no princípio de setembro, não são só os livros como também no material escolar que precisa de ser renovado. Mas pronto, depois de esperar que chegassem estes merecidos dias de descanso, depois daquela última semana que parece que custa a passar, mas ao mesmo tempo parece curta para deixar todo o serviço despachado e os recados dados, lá vamos nós para férias, recarregar baterias durante duas, três ou quatro semanas e deixar o stress para trás.
Nos primeiros dias acordamos sempre no momento que o despertador tocava quando estamos a trabalhar, o problema é que nesse período custa-nos sair da cama, enquanto de férias cinco minutos antes estamos despertos e prontos para ir fazer uma maratona. Será uma partida do nosso “subconsciente”? Talvez, mas que é aborrecido é.
Os planos traçados para as férias são numerosos (somos sempre muito otimistas nesta questão), para além dos passeios e do descanso, há arrumações, limpezas, pinturas, remodelações e ainda tratar de papeladas que adiamos porque no nosso horário de trabalho não dá. E depois… praia, pelo menos uma semana no Algarve, na costa alentejana ou qualquer outra zona costeira. Vamos pela autoestrada ou pela Estrada Nacional? Vamos junto à costa alentejana ou por Beja, Mértola, etc…? Os dilemas surgem sempre e com eles o stress que ainda não nos largou. Quem vai, quem fica, o que levar: malas, mochilas, guarda-sol, pranchas… Como é que isto tudo cabe no carro? Que stress! Valha-me o Espírito Santo! (Não o Banco, claro).
Por fim o carro está tão carregado que a parte de trás fica rebaixada e se os faróis estiverem acesos, parece que estamos com os máximos ligados. O retrovisor é peça que se pode retirar nas idas e vindas de férias, pois normalmente vislumbram-se apenas as cabeças dos passageiros de trás em conjunto com a “tralha” que se carrega. Ainda bem que existem os espelhos laterais, mas necessitamos de um maior exercício visual do tipo camaleão que tem de olhar para os dois lados ao mesmo tempo. Na bagagem ainda viaja o stress dissimulado pelos risos da famílias e/ou amigos e a ansiedade de chegar ao local o quanto antes. Mas quando chegamos e não há estacionamento para o carro e precisamos de dar mais umas voltas depois de 250 kms, 300 kms percorridos, lá está ele a surgir outra vez. Após três horas de viagem, aqueles dez minutos a procurar o lugar ideal para estacionar são infernais. Depois há que descarregar o carro, correr para a praia, é o descortinar todos os dias do “onde” e “o quê” vamos comer todas as refeições. Há ainda que fazer uma escala para ver quem vai comprar o
pão fresco para o pequeno-almoço, descobrir onde estender a toalha ou colocar o guarda-sol, para quem não vai para a zona concessionada. É o besuntar os corpos com protetor solar porque o “sol está perigoso” e, posteriormente, os hidratantes para a pele não secar, um ritual sagrado que se repete constantemente. Mas no final do dia, para relaxar, nada melhor que um passeio pelo calçadão da vila ou cidade costeira, comer um gelado, fazer um tereré, comprar uma bugiganga e exibir o bronze adquirido do dia. As crianças estão radiantes, os jovens fazem novos amigos e nós, por fim, vamos descontraindo sem darmos conta.
Esta é uma pequena descrição de coisas comuns a muitos portugueses que vão de férias em família ou com amigos, mesmo neste Verão de clima algo incerto. O que é facto é que estes dias passam num instante e nós quando nos apresentamos ao trabalho, estamos cansados, sem ter feito metade das coisas que nos propusemos neste período, mas verificamos que já nos habituamos a ficar mais tempo na cama, que o stress se perdeu algures na viagem e que já temos saudades, dos churrascos com os amigos, dos sítios que visitámos, da bola de Berlim e do mar que nos envolve e nos embala.

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publicado às 21:06


A Tática do Gambá

por Antonovsky, em 01.08.15

Aprofundei os meus conhecimentos sobre o que era um gambá no filme de animação “Pular a cerca” (2006). É verdade que já foi um pouco tardiamente na minha vida, mas como estamos sempre a aprender e não é um animal comum por aqui na Europa, tenho algumas atenuantes.
O gambá é um animal que perante o perigo faz-se de morto até a ameaça passar. Enganando os predadores consegue fugir (obviamente, nem sempre) aos problemas que estes criam. Ora, por vezes, acho que muitos de nós seguimos este exemplo. Ou seja, de uma forma passiva, quando há um problema não o enfrentamos e esperamos que este passe ou se resolva por si só. Só que, tal como o gambá, nem sempre passa sem encontrarmos uma solução. Porém, a natureza é mais perfeita e dotou o animal com um odor fétido que ainda parece mais real o que ajuda neste disfarce, todavia, o ser humano nesta malha complexa que criou, que é a sociedade onde vive, não consegue escapar-se tão facilmente.
A negação, o fingir que está tudo bem, o ignorar as ameaças, não resolvem os problemas. Pelo contrário, adia-os e, por vezes, agrava-os de uma forma irreversível. Este exemplo serve para muitas situações na vida pessoal, profissional, politica, social e familiar de todos nós. Se não reconhecemos o que está errado, se não enfrentamos os nossos medos, os nossos problemas não se irão resolver. No entanto, no nosso país, nota-se através de uma apatia generalizada, não só das pessoas, como das próprias instituições, uma quietude, uma aparente normalidade que não transparece paz, mas sim instabilidade, um clima algo tenso pronto a explodir por coisas insignificantes, com muito nervosismo e ansiedade.
Como o gambá, que deitado no chão fica imóvel quase sem respirar, suspende a vida e olha pelo canto do olho para verificar se a ameaça já passou. Nós ficámos suspensos, vimos passar a troika, o desemprego, a pobreza, os azares alheios, as lutas que os outros travam, na esperança que se nos mantermos quietos não nos atinjam, não nos descubram, para que depois possamos continuar a viver a nossa vida.
Penso que, para o gambá as coisas são assim porque é a sua natureza e ele não pode alterá-la, mas nós humanos, enquanto seres racionais devemos enfrentar os medos, conhecer as ameaças, encontrar caminhos, procurar soluções, sempre erguidos e despertos.

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publicado às 10:48


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