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Citações

por Antonovsky, em 08.08.15

O declínio das instituições representativas, como os parlamentos ou os partidos políticos em favor de "Instituições Guardiãs" (como alguns autores designam) é uma tendência alarmante. Estas instituições cuja legitimidade assenta em pressupostos que favorecem uma administração tecnocrática e oligárquica, incluem bancos centrais, a burocracia da União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, empresas de consultoria e redes várias de "especialistas em políticas publicas. (...) Qualquer democracia pressupõe a existência de estruturas não eleitas das quais emanam decisões relevantes para a vida quotidiana: o sistema judicial, as forças armadas, as polícias e a administração pública. Mas todas estas instituições foram historicamente controladas e supervisionadas por executivos e parlamentos. A situação atual distingue-se na medida em que o novo estatuto das "instituições guardiãs" implica que sejam impermeáveis ao controlo popular."

Tiago Fernandes in, "A Sociedade Civil" Ensaios FFMS

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publicado às 20:58


A razão de cada um

por Antonovsky, em 31.07.15

Hoje em dia fico espantado com a quantidade de pessoas que têm razão. Falo com um individuo, ele argumenta de tal forma que parece que tem razão, converso com outro e o seu discurso é tão verdadeiro que também sugere que tem razão, apesar de dizerem exatamente o contrário um do outro. Será que só eu tenho dúvidas? A perspetiva pessoal com que são apresentados os argumentos, as razões e as explicações, aliadas a uma atitude firme e convincente fazem parecer que todos têm razão.
As racionalidades são tantas e as experiencias de vida, profissionais, sociais e académicas diversas, que as visões de cada um sobre determinado assunto são muitas vezes, variadas e extremas, confundindo a verdadeira realidade e a verdadeira razão. Assim, como disse um filósofo francês “as racionalidades são tantas que nos tornamos céticos”. Assistimos a discussões entre dois ou mais indivíduos e vemo-nos a vacilar entre uns e outros, acabando por cair no descrédito e na desconfiança.
Eu tento, a custo, perceber as várias perspetivas e “encarnar” no papel de cada interlocutor, mas nesta avaliação perde-se tempo e o momento de resposta e, hoje em dia, não há tempo para refletir. É como nas promoções limitadas temporalmente, em que o consumidor tem de comprar senão perde a oportunidade. Esta pressão incutida propositadamente pode precipitar para adquirirmos algo que não precisamos ou que nem sequer serve para alguma coisa. Faz parte do marketing e acho que atualmente isso que acontece em matéria de opinião e decisão.
As coisas raramente são feitas com tempo, é uma característica portuguesa. Quando se começa a planear com muita antecedência dizem: Epá, falta ainda muito tempo! Já estás a trabalhar nisso? - Mas o problema é que o tempo passa depressa demais e quando notamos temos de decidir “para ontem”. E aqui surgem os que têm opiniões já formadas (bem ou mal), os técnicos e os palpiteiros, mas todos se debatem de igual para igual devido à pressão para tomar a decisão. Assim, cheios de si mesmo, por vezes com egos desmedidos que mal cabem nas portas, defendendo as razões que cada um apresenta, de tal maneira que parece que falam todos o que é mais correto. Isto acontece nos mais variados cenários: político, financeiro, profissional, académico, etc. Porém, há que definir a opção a tomar e as decisões nunca agradam a todos, pois unanimidade e humanidade só rimam, mas são praticamente incompatíveis. E claro, com pouca reflexão e muita confusão, se nos apoiarmos nos palpiteiros, podemos enveredar por um caminho que não pretendemos.
Por exemplo, ao ouvirmos os comentadores nas televisões e rádios ou lermos nos jornais, verificamos que segundo a sua ideologia, experiência e perspetiva pessoal abordam o mesmo tema de uma forma completamente diferente, apresentando muitas vezes argumentos plausíveis que lhes dão peso na sua opinião. Quanto a quem ouve, a confusão instala-se e, ou opta pela simpatia de determinado comentador, ou torna-se cético dizendo que na sua diferença de opinião são todos iguais, pois querem defender os seus próprios interesses. E é este o sentimento da maior parte de nós, que inundados com o excesso de informação inclinada para um lado ou para outro, seja sobre que assunto for, acabamos por não acreditar e criar uma perspetiva pessoal que, por vezes é… nenhuma. Mais vale dizer: “Não quero saber
disto para nada! Eles que se entendam! Há coisas mais importantes”, do que perder tempo a refletir sobre as coisas.
O que é um facto é que a sociedade é um sistema aberto e a envolvência abrange-nos e afeta-nos a todos. E por isso temos de estar informados, procurar fundamentação sólida, conhecer os eventuais danos colaterais entre o fator humano e o material, o pragmático e o social, o real e o demagógico. Isto é, convém conhecer as várias perspetivas, definir a nossa própria razão e chegar a uma conclusão. Afinal, nem todos têm razão, mas TODOS podem ter uma palavra a dizer.

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publicado às 12:17


O Erro

por Antonovsky, em 30.07.15

Inerente à condição humana, tem servido para desculpar atos que resultam menos bem, falhas por esquecimento ou ignorância, atitudes menos refletidas que atingem terceiros com ou sem intenção. Na minha opinião, o erro apesar de odiado, desprezado, mal-amado e de poucos o reconhecerem como seu quando o cometem, se ele for assumido verdadeiramente e em consciência, traz sempre alguns pontos positivos.
Em primeiro lugar pode demonstrar humanidade, humildade e vontade de aprender com ele. Essa aprendizagem estende-se não só à experiencia pessoal que se adquire, como também às reações de quem nos rodeia, dado que, nessas situações de maior tensão notamos de uma forma mais intensa quem está connosco e nos apoia ajudando a corrigir, amparando e animando e, por outro lado, demonstra quem está pronto a nos criticar de forma veemente, revelando inflexibilidade, juízos precipitados ou recalcamentos de experiencias passadas. Normalmente, as pessoas assertivas, tendem a relativizar as situações, ultrapassando-as, procurando soluções e fortalecendo-se com a experiencia. As pessoas menos seguras, vêm fraqueza nos outros e ficam prontas a retaliar numa eventual resposta ao erro cometido, procurando evidenciar-se com os erros dos outros em vez do seu próprio mérito. Este último exemplo abrange as pessoas que nunca reconhecem que erraram e que transferem a culpa dos seus erros para terceiros (todos conhecemos alguém assim).
Ora, nós somos atores nos diversos papéis que representamos na sociedade, em família, no meio profissional, etc.. e nesse desempenho de atores há cenas que falham, palavras que ficam por dizer, discursos que são demasiado longos, desnecessários e descontextuados, atitudes exageradas, despropositadas ou mal-entendidas, enfim uma panóplia de situações mundanas. Ou seja, inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, todos erramos, caímos, falhamos, mas devemos saber aprender, erguer e vencer. A isto chama-se viver.
E por isso, apesar dos amargos de boca e ácidos no estômago quando sentimos que estivemos, de alguma forma, menos bem, devemos sentirmo-nos gratos pela nossa humanidade, pelo crescimento e aprendizagem no reconhecimento da situação e procurá-la corrigir prontamente. Agradecidos pela revelação das personalidades de quem nos rodeia, que nos momentos mais difíceis surgem mais claras e demonstram quem está do nosso lado e pronto a ajudar.
Será que conscientemente devemos suscitar os erros para essas aprendizagens? Será que (in)conscientemente criamos situações de tensão/conflito para um conhecimento mais profundo de quem está perto de nós? É preciso ter cuidado com estes “testes”, pois podem surgir surpresas com reações desagradáveis inesperadas.
A meu ver, no plano sociológico o erro é fundamental para o desenvolvimento humano, numa cadeia de sequências: erro, reconhecimento, diálogo, solução e não de choque e rutura. Porém, mesmo no processo de rutura e divergência mais profunda, existe um surgir de novas ideias e de novos caminhos para um determinado assunto.
No entanto, a pergunta que fica no ar é: Qual é o caminho correto? Por vezes só o futuro dirá na sequência de acontecimentos que ocorrerão com determinada escolha. Mas no momento da decisão há que optar, e aí como seres humanos com a nossa imperfeição inerente, muitas vezes… erramos.

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publicado às 18:54


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