Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Guerra Civil de Espanha II

por Antonovsky, em 12.06.08

Para terminar a muito resumida exposição sobre a Guerra Civil Espanhola, publico aqui a segunda parte do post dedicado a este assunto. 

Apoios Internacionais

Como o golpe não teve o sucesso esperado, o conflito tornou-se numa longa guerra civil, numa antevisão da II Guerra Mundial, servindo de ensaio às potências que posteriormente nela estiveram envolvidas.

O Movimento Nacional de Franco recebeu ajuda militar directa da Alemanha (Legião Condor), e da Itália, (Corpo de Tropas Voluntárias, aviões e equipamento). Portugal forneceu logística e financiamento às tropas rebeldes e “enviou” tropas voluntárias (a Legião Viriato) apesar de não responsabilizar-se por elas.

A Frente Popular recebeu ajuda internacional, proveniente da URSS (assistentes militares e material bélico) e das Brigadas Internacionais (cerca de 38 mil homens) compostas de militantes de frentes socialistas e comunistas de todo o mundo (53 nacionalidades) e de numerosas pessoas que a título individual entravam na Espanha para lutar pela defesa da República, incluindo vários intelectuais europeus e americanos participaram neste conflito.

A França e a Inglaterra optaram pela Não-Intervenção, impondo um embargo geral à exportação de armas à Espanha.

Papel de Portugal

Até à Guerra Civil espanhola as acções do Estado Novo em matéria de Política externa não foram muito relevantes. A prioridade do regime residia nos problemas internos da nação procurando a estabilidade e sua consolidação. Porém, com um conflito de carácter ideológico tão vincado junto às fronteiras, o Governo vê-se obrigado a tomar uma atitude considerada defensiva, centrada em três aspectos:

  1. “A defesa da independência nacional face ao perigo espanhol”» As tendências anexionistas quer de direita (facções mais radicais dos falangistas), quer de esquerda (Federação das Repúblicas Socialistas Ibéricas), era uma realidade no contexto dos anos 30/40 e, como tal, Portugal estava atento ao desenvolver dos acontecimentos.
  2. "A defesa do património colonial”» A discussão das grandes potências europeias sobre a divisão das colónias africanas, causava apreensão portuguesa a todos os níveis da sociedade, pois para além das questões ideológicas, políticas e estratégicas, havia o interesse económico.
  3. “A sobrevivência do regime”» Após o triunfo sobre as revoluções internas, Salazar deparava-se com uma ameaça externa que poderia por em causa o regime e a própria Independência.   

O Governo tinha de saber agir, o apoio, dentro das suas possibilidades, de Portugal aos rebeldes anti-republicanos do General Franco, vem não só na sequência de ideologias próximas lutando contra inimigos comuns (anarquistas, comunistas e democratas), mas também na busca de um aliado para o futuro conflito mundial, controlando ao mesmo tempo os ânimos das facções anexionistas mais radicais da falange.

Balanço da Guerra:

» O número de baixas oscila entre 330 a 405 mil mortos (apenas 1/3 no campo de batalha).

» Cerca de 6800 religiosos católicos mortos (12 bispos). Foram destruídas cerca de 20.000 igrejas, com perdas culturais incalculáveis.

» Meio milhão de prédios foi destruído.

» Metade do gado espanhol perdeu-se e muitos terrenos de cultivo foram incendiados.

» O rendimento percapita caiu cerca de 30% e fez com que a Espanha se afundasse numa estagnação económica que se prolongou por quase trinta anos.

Conclusão

  • Três aspectos fundamentais: Guerra Ideológica, Violenta e Internacional;
  • A crise da democracia neste período levou as ideologias extremistas que marcaram o séc. XX a ganharem simpatizantes. As instituições democráticas pareciam não conseguir dar resposta às necessidades da população, não conseguindo estabelecer um sistema político estável e funcional, no fundo, a sua consolidação. As soluções eram apontadas para uma liderança forte do Estado, quer à direita quer à esquerda.
  • A forte mobilização social como um fenómeno de interesse sociológico. Indicava que estava próxima uma Guerra de larga escala. As ideologias eram vividas com paixão de vida ou morte. A violência desta guerra pode ser demonstrada pelo número de baixas fora do campo de combate 2/3.
  • Guerra Civil Internacional, poderia haver o caso de o mesmo país ter voluntários fascistas e comunistas.
  • O Estado Novo faz o seu primeiro grande teste à Política Externa e traça desde logo a estratégia que se seguiria no futuro conflito mundial. O apoio a Franco, apesar de não ser oficial, para além de afastar o perigo de um regime comunista junto à fronteira, revela-se fundamental para o controlo dos ímpetos de anexionismo espanhol.

Apenas uma curiosidade, para quem não saiba, quem liderava o Movimento Nacional, era o General Sanjurjo que se encontrava exilado em Portugal há uns anos e conspirava contra o governo espanhol, no entanto, no início do golpe, ao deslocar-se para Espanha sofre um acidente de aviação e morre. Dizem que foi devido excesso de bagagem, mesmo com os avisos do piloto, o General insistiu em levar todos os seus haveres e o pequeno avião não estava preparado para tal. Como consequência, Franco assume a liderança e torna-se Chefe de Estado de Espanha por muitos e longos anos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:30


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Junho 2008

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930