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IV República Portuguesa, que futuro?

por Antonovsky, em 28.07.15

Houve sinais e dores de parto cerca de dois anos antes com o regicídio, mas foi aos cinco dias do mês de Outubro de 1910 que a República nasceu. Por essa altura, os seus criadores não se entendiam e no meio da instabilidade, de sucessivos governos, inúmeras eleições, revoltas e cercos, ela foi crescendo desorientada, assistindo às clivagens abruptas na organização social, política e religiosa. Eram tempos de rebeldia de uma jovem Republica que até uma guerra mundial conseguiu ultrapassar, mas que nunca se encontrou enquanto solução para os problemas do país e finalizou a sua Primeira fase sem um fio condutor de objetividade e clarividência, muito por culpa de quem lutava por ela.
Decidiu, então, entrar em retiro, procurando a seriedade, idoneidade e responsabilidade que lhe faltavam. Cerca de 1926 entrou num novo período, restringiu a liberdade e a criatividade, para se voltar para dentro numa introspeção dolorosa e castrante, num sistema fechado de um pensamento único. Parecia querer redimir-se das rebeldias passadas, num retiro onde foi conduzida por mãos firmes e punitivas que não permitiam desvios no rumo traçado. Também passou incólume por várias guerras, a Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial, até esbarrar numa própria em três frentes que foi sustentada pelos seus jovens ao longo de treze anos e a qual foi uma das principais razões para que esta sua Segunda fase terminasse em Abril de 1974.
Tinha ficado autista, obcecada e azeda, mas Abril fê-la respirar de alívio e de novo sentiu-se jovem. Abriu os braços e recebeu os seus que estavam longe, libertou povos, muitas vezes sem ser da melhor maneira, mas era uma nova fase, atabalhoada e efervescente da democracia. Procurou orientação, pois a luz da liberdade de pensamento ideológico cegava-a e dava-lhe tonturas, já não eram as mãos ásperas e firmes que a conduziam sem lhe perguntar o caminho, mas muitas mãos a puxarem para um lado e para o outro. Entrava na sua Terceira fase e com o tempo lá encontrou o equilíbrio. Foram-lhe traçando o caminho, cometendo alguns erros, mas melhorando a qualidade de vida, a saúde e a educação. Verificaram que o “orgulhosamente sós” não era benéfico e, ao verde e vermelho da sua bandeira juntaram o azul e as estrelas da Europa, como se fosse um antigo navegador onde o azul reflete o mar e as estrelas o guia de uma nova orientação social e politica.
Mas a estabilidade também tem as suas desvantagens e, por vezes, surge comodismo e com ele os vícios implícitos, a capacidade crítica diminui e o ceticismo aumenta. A democracia perde qualidade e neste momento a Republica entra na sua Quarta fase, mas de um modo brando, sem revoluções. Como é algo que acontece de forma suave, alguns agentes políticos parecem não entender este aspeto e continuam nos seus jogos palacianos ultrapassados e prejudiciais a si próprios e à sociedade. Criam casos em copos de água, enquanto encobrem tempestades com artifícios e outros sistemas de elevada complexidade para o comum dos mortais, como convém.
Entretanto, alguns dos poderes concentrados e soberania da República, outrora indissociável, são lentamente cedidos para instituições europeias, enquanto empresas antes públicas são vendidas a empresas privadas e multinacionais. O sistema mudou e ninguém parece notar. A República vai guiada por mãos que já não são apenas lusas, mas são europeias, africanas,
americanas e asiáticas. Não estamos a conseguir adaptarmo-nos ao processo que nos é imposto, eventualmente, porque não é o mais adequado para o país e para a Europa. Sente-se que os objetivos previamente traçados pelos Estados membros da União Europeia, que deveriam ser agentes de congregação, transformaram-se em barreiras quase intransponíveis e causas fraturantes e até o mais básico e necessário, que é a Paz, encontra-se em risco com múltiplas ameaças e desafios.
A nossa Republica Portuguesa já não é jovem, mas está numa nova fase e segue confusa e magoada, pois passou por muito e não lhe dão o devido valor, bem vistas as coisas, provavelmente nunca deram. Por vezes, até a trataram mal e ultimamente parece que se esqueceram do seu aniversário e, assim, neste turbilhão de sentimentos, mais uma vez deixa-se levar sem um rumo bem definido e com pouca clarividência.

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publicado às 11:33

Como é bom viver no país ideal, livre, democrático, onde os recursos disponíveis são aproveitados de uma forma racional, lucrativa e sustentada, onde se procura maximizar os benefícios com o mínimo custo e impacto ambiental. Um Estado que estima a sua terra e o seu povo.
Temos quase uma independência energética assente em energias limpas e renováveis (eólica, solar e energia das ondas), graças a um território costeiro privilegiado quer na situação geográfica, quer no clima. É verdade, decidimos aproveitar o que temos e voltámo-nos novamente para o mar e para aquilo que ele nos dá, pedindo em troca “apenas” que o tratemos bem. Renovámos e modernizamos a frota pesqueira, a nossa Marinha e até embarcações de turismo e lazer e os nossos estaleiros navais voltaram a ter atividade e a dar emprego a muita gente.
Promovemos o Emprego junto dos jovens dando-lhes saídas académicas e técnico-profissionais adequadas às suas competências e opções, assim como, estágios que lhes atribuem experiência no mercado de trabalho e já não precisam de emigrar por necessidade.
Na Educação, apostámos na qualidade do ensino, nos profissionais e nas infraestruturas, alargámos a rede de escolas, o pré-escolar e até creches. Criámos condições para que as pessoas possam conciliar a vida profissional e a vida familiar e com o aumento de investimento veio mais emprego e com ele a taxa de natalidade subiu novamente.
Mas também para os mais idosos há programas para se manterem ativos e participantes nas comunidades. A mentalidade mudou e a maioria das pessoas de todas as idades voltaram a ajudar-se mutuamente nos seus bairros, nas suas freguesias, na resolução do pequeno pormenor onde o Estado não chega, num associativismo puro e livre, num exercício de cidadania saudável, trazendo qualidade de vida social.
Também a rede de transportes é moderna e corresponde às necessidades da população. Temos uma boa rede de estradas e a linha férrea cresceu e abrange todos os distritos de uma forma eficiente. Ainda nesse aspeto o nosso Porto de Sines com as suas águas profundas que permite a entrada de embarcações de grande calado é uma via aberta para as mercadorias do mundo para a Europa, sendo servido por uma linha férrea que as transporta para o interior do continente e os lucros são magníficos.
A Saúde é acessível para todos, quer na despesa, quer na distância, quer na prontidão do atendimento e na qualidade de profissionais e infraestruturas. A distribuição da rede hospitalar é bem organizada, assente na racionalização de meios, proximidade das populações e, claro, sustentável.
E muitas outras coisas que se poderiam acrescentar, como por exemplo no sector privado, até os negócios do sistema bancário são totalmente transparentes.
É verdade que descontamos muito dos nossos rendimentos nos impostos, mas não são para pagar dívidas de má gestão política e estratégia económica, nada disso, são para usufruirmos
gratuitamente dos serviços públicos de Educação e da Saúde, mas também da Justiça que é cada vez mais célere e acessível a todos de modo equitativo.
Acreditem, ninguém se queixa dos impostos que paga porque sabem que o Estado afiança a segurança e o bem-estar aos seus cidadãos. E estes retribuem com trabalho, intervenção ativa nas suas comunidades, porque têm um sentimento de pertença, de envolvimento nos assuntos que são de todos e havendo confiança no sistema, há reciprocidade.
Este seria o país (quase) ideal, nunca seria perfeito, pois a imperfeição é inerente á condição humana, mas a pergunta que fica é: O que nos impede de melhorar, de alcançar alguns objetivos a médio prazo? Podemos culpar os políticos, os banqueiros, as famílias poderosas, as sociedades secretas, ter inúmeras teorias da conspiração, mas sabemos lá no fundo, mesmo quando estamos irritados com a situação de Portugal, que também somos culpados, provavelmente os maiores culpados, com as nossas atitudes alheadas das questões fundamentais, com as nossas atenções desviadas para o superficial.
Há pouco tempo o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, dizia que o sistema político português promove “uma cultura de submissão”, de modo a que o “povo se resigne” e que o país permaneça num “estado de dormência”.
O que se pode fazer para contrariar esta situação? Mudar de atitude, participar na comunidade ativamente, reivindicar os direitos e cumprindo os deveres, vencer a desmotivação e ajudar a melhorar o seu bairro, a sua freguesia, o seu concelho, o seu país. Um pequeno gesto de cada um pode ter uma força imensa.
Para refletir.

Fantasia ou realidade.jpg

 

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publicado às 11:04


Em defesa da Defesa

por Antonovsky, em 26.07.15

Na altura do 25 de Abril fala-se muito nos militares, no final da guerra coloonu2.jpgnial, nos Capitães de Abril e no seu papel para a conquista da liberdade. Também no dia 10 de Junho partilhamos todos (quase todos) a memória dos desfiles militares quase intermináveis dos diferentes ramos das Forças Armadas e das mais diversas unidades, todos aqueles uniformes alinhados, especialidades representadas, carros de combate, e claro, a Charanga da GNR, que eram e são transmitidos pela TV neste feriado. Mas depois destas datas, e do aspeto simbólico que representam, pouco ou nada se fala das Forças Armadas nem no âmbito das suas funções.
Algo que também é transversal nos partidos políticos é que escasseiam nos seus discursos, a suas “estratégias” no âmbito da Defesa Nacional. Os debates centram-se em pastas como a Economia, a Saúde, a Educação, a Segurança Social, depois, eventualmente, vem a Justiça, a Administração Interna e o Ambiente. Este último tem ganho o seu espaço com a consciencialização social e os alertas visíveis por todo o mundo, causado pelas alterações climáticas. São todos temas importantes e que estão mais diretamente ligados ao dia a dia de todos nós e, como tal, são insistentemente debatidos, argumentados, teorizados para ganhar terreno aos adversários políticos.
Por outro lado, a Defesa Nacional parece ser um tema fechado em si mesmo, pouco abrangente na sociedade, quase supérfluo, sugerindo uma prioridade reduzida, ou mesmo nula, perante os temas acima descritos e a crise atual, como se influenciasse pouco as nossas vidas. Mas esta ideia é errada e redutora.
A amplitude de missões que as Forças Armadas (FA) têm no contexto moderno são vastas e abrangentes, muitas das quais inerentes/interligadas às outras pastas ministeriais. A integridade territorial, as missões internacionais para manter ou “estabelecer” a paz (peacekeeping, peace enforcement), as operações de busca e salvamento, de patrulha do espaço aéreo, marítimo e terrestre, a colaboração com as forças e serviços de segurança, com entidades no âmbito científico, com a proteção civil, etc., conferem às FA um papel determinante no sistema envolvente. Deste modo, assim como os professores, os polícias, os médicos e todos os funcionários que querem fazer o seu trabalho com os meios adequados e disponíveis, os militares, têm as suas necessidades, os seus objetivos e as suas frustrações se, eventualmente, não conseguirem desempenhar as suas funções por falta de meios logísticos ou por possuírem recursos inadequados.
Portugal a crescer, o desafio aumenta

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Portugal está atualmente a desenvolver uma missão para a Extensão da Plataforma Continental Portuguesa (http://www.emepc.pt/), pretensão essa que, a ser aceite pelas Nações Unidas, fará com que a Zona Económica Exclusiva do nosso país seja uma das maiores do mundo. Como iremos controlar/patrulhar tão vasto território? Teremos meios suficientes e adequados? Se tanta tinta correu quando suspeitos de terrorismo cruzaram o nosso espaço aéreo em direção a Guantanamo, como é que podemos ignorar o trafego ilegal de estupefacientes, de armas, de seres humanos, mercadorias perigosas, lixo tóxico, radioativo, etc., que, eventualmente, passará nas nossas águas? Por exemplo, nas águas territoriais da Somália alguns países, ditos civilizados e ricos, despejaram (ou despejam ainda?) barris de resíduos indesejáveis que, por altura do maremoto/tsunami de 2004, vieram dar á costa contagiando a população curiosa que deles se aproximou. Porquê? Porque é um Estado sem uma Defesa e um controlo eficaz do seu território.

As FA são um recurso disponível do Estado para as mais variadas missões, estão integradas em acordos de organizações internacionais (NATO, ONU, UE) que para além do prestígio inerente, nos dá um peso totalmente diferente na política de relações externas.
Os nossos militares são a nossa bandeira e nós, sempre muito entusiastas da nossa Seleção de Futebol quando nos vai representar “lá fora” num simples jogo de futebol, reclamamos quando os nossos militares no contexto operacional de acordos internacionais defendem a democracia, a paz e os direitos humanos num qualquer lugar do mundo.

Como cidadão, desejo uma Educação de qualidade, uma Saúde que cuide, uma Segurança Social que proteja, uma Justiça que se aplique, etc., mas também uma Defesa digna e eficaz. Para isso, é necessária uma política sincera, esclarecida e integrada que seja adequada aos desafios atuais das FA e que permita dar uma resposta pronta e cabal às missões atribuídas.
Afinal é a segurança e o bem-estar do cidadão que os Governos devem procurar obter através dos meios disponíveis ao seu alcance, independentemente das “pastas”, pois todas têm a sua importância e todas nos dizem respeito.

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publicado às 13:30



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